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Do pasto para a mesa
Revista Food Service - 24° edição - 25/08/2006


De Janeiro a Maio de 2006 o Brasil exportou cerca de 572 toneladas de carne bovina. Esse número mostra um pouco da capacidade que o país tem de produção e como se tornou um dos maiores exportadores no mundo, além da pecuária, que é hoje uma das mais modernas. Apesar da crise sofrida pela febre aftosa, que complicou as finanças do setor exportador, especialistas prevêem para 2006 um crescimento de 15 a 20% nos embarques de carne bovina para o mercado externo, significando um aumento de 5 a 10% nos volumes, que foram de 2,3 milhões de toneladas em 2005.

A Rússia é o principal importador da carne bovina brasileira, são cerca de 90 toneladas só nos primeiros cinco meses deste ano, o Egito vem em segundo lugar com 70 toneladas no mesmo período. Cerca de 34 milhões de cabeças de gado são abatidas por ano, isso mostra a importância do Brasil na criação, abate e industrialização do produto.

O Grupo Bertin, trabalha com diversos produtos desenvolvidos através da criação de gado: curtimento de peles, calçados e equipamentos de segurança individual, produtos para alimentação animal, higiene e alimentos. A empresa abate 7 mil cabeças por dia em suas seis unidades de alimentos. Além de manter criação própria, ela conta com uma rede de fornecedores, que abastecem suas unidades abatedoras. “Todos os parceiros seguem rigorosas normas de qualidade, sanidade e padronização para atender as especificidades dos mercados interno e externo”, comenta o diretor de mercado interno da divisão alimentos do Grupo Bertin, Durval Cavalcanti.

Qualidade

Cada vez mais as empresas se preocupam com o padrão da carne que coloca a venda. Devido às diversas doenças que têm acontecido nos últimos anos, o mercado tem exigido mais controle da origem do gado que é sacrificado. Para evitar transtornos, a Bertin trabalha de tal maneira que o rebanho seja rastreado, o que permite o acompanhamento da vida do animal e garante um controle sanitário rígido. “Nas fazendas, profissionais especializados mantêm-se atentos à vacinação, alimentação, bem-estar e padronização dos animais, conferindo homogeneidade, segurança, e qualidade de todos os procedimentos adotados”, explica Cavalcanti. Segundo o diretor, a empresa possui confinamentos para períodos de entressafra em regiões onde a seca é mais extensiva, além disso, o Grupo realiza pesquisas para melhoramento genético da raça Nelore.

A Friall, empresa que trabalha com carnes bovinas, suínas e de aves, abate cerca de 200 cabeças de gado diariamente, apesar de manter relações comerciais com outros estados, cerca de 85% de toda a produção está distribuída de forma pulverizada em toda a região de Minas Gerais com uma concentração maior na capital. Por isso o alarme com a febre aftosa pouco afetou, pois a empresa fica localizada fora da área de risco e só comercializa para o mercado interno.

A Friall, acompanha a evolução tecnológica das linhas produtivas, principalmente com equipamentos, nos quais máquinas da Alemanha, França, Espanha e do Brasil, compõe o mix usado na fabricação de mais de 40 produtos industrializados diariamente. “Nós mantemos rigorosa observância no controle de qualidade. A cada lote produzido são verificados todos os parâmetros de qualidade estabelecidos nas especificações técnicas de nossos produtos”, comenta o gerente administrativo da empresa, Guilherme Augusto. Além disso, na empresa são feitas constantemente consultorias internas e para a qualidade dos produtos, foi feita a implantação do BPF- Boas Práticas de Fabricação e o APPCC- Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle.




As empresas possuem seus próprios rebanhos, porém trabalham com a compra de animais com outros produtores. Na Friall a negociação é feita por telefone, havendo acordo o setor de compras bovino, vai até a propriedade verificar o estado dos animais e fazer a última avaliação para o desfecho do negócio, em alguns casos, é necessário que sejam separados os animais fora dos padrões estabelecidos e seguirem para o abate. “Os animais provêem de toda a região de Minas Gerais, em um raio máximo de 500 km da empresa e devem seguir os padrões de qualidade da Friall”, explica Augusto.

Segundo o gerente, o abate dos animais é acompanhado por uma equipe técnica, sobre supervisão do SIF (Serviço de Inspeção Federal), para preservação da qualidade, aparência e maciez da carne. “São padrões que vão desde a seleção de animais a serem sacrificados, até a entrega final ao cliente. Uma operação que envolve o embarque e desembarque de animais, a seleção do melhor veículo de transporte, seja de animais, como de cargas refrigeradas, os processos e meios utilizados antes, durante e depois do abate como o manejo de animais, tipos de embalagens, higienização dos equipamentos e etc.”, ressalta.

Made in Brazil

O Grupo Bertin exporta para mais de 80 países nos cinco continentes. Em 2005, a empresa registrou um crescimento de 20% em sua receita se comparado com 2004. A previsão para 2006 é de um incremento de 20%. Segundo Cavalcanti, a empresa fornece mais de 300 produtos de origem bovina, com especificações e cortes especiais, matém um rigoroso controle sanitário e rastreabilidade do gado, permitindo confiança quanto à origem da matéria-prima, além disso, é auditada pelo Ministério da Agricultura e recebe missões sanitárias de diversos países para inspeção de suas unidades”, explica.

Quando foi descoberto o primeiro foco da febre aftosa no Brasil, o Grupo Bertin reduziu em 50% os abates de suas plantas em Naviraí (MS) e Lins (SP) e redirecionou parte de sua produção para suas outras unidades – Mozarlândia (GO), Ituitaba (MG), Itapetinga (BA), Marabá (PA). “A fabricação de Naviraí (MS) ficou voltada apenas ao mercado interno e, nas demais plantas, houve aumento da fabricação de produtos industrializados com maior valor agregado para o exterior, compensando possíveis perdas durante esse período. Atualmente a produção da empresa está normalizada em todas as unidades”, comenta Cavalcanti.

A tendência é que o Brasil se mantenha como um importante player no mercado internacional da carne bovina. O país reúne qualidades como grande capacidade de produção a pasto, boa sanidade dos rebanhos e preços competitivos. A implantação de programas para a erradicação da febre aftosa ajudaria a expandir para novos mercados que atualmente não consomem o produto brasileiro, como os EUA (que só compra a carne bovina industrializada) e o Japão.

Foodservice

Cada brasileiro gasta em média R$ 80 por ano com carne bovina. O mercado de alimentação fora do lar, quer e procura produtos de sua cultura original, o que representa uma imensa oportunidade para o país na América Latina. Hoje, esse sabor tem sido uma tendência mundial e o apelo ao apetite é uma oportunidade muito grande para o Brasil.


Os cortes são feitos de acordo com as necessidades de cada cliente.

O Grupo Bertin, especifica seus produtos de acordo com as requisitações de cada canal de venda. “Os cortes que têm mais preferência pelos restaurantes são contra-filé, coxão mole, patinho, dianteiro, além de itens como carpaccio, hambúrguer, quibe e almôndegas”, comenta Cavalcanti.

Para atingir o setor, algumas mudanças têm que ser feitas como tamanho de embalagens e tipos de cortes. A Friall, por exemplo, criou uma linha direcionada para o foodservice. Os cortes destinados a refeições coletivas são elaborados das mais diversas formas para atender todas as necessidades do cliente no segmento. “Atendemos com carnes resfriadas e ou congeladas, temperadas e ou in natura, peças inteira ou porcionados e embalagens de 1 a 30 kg”, explica o gerente.

Segundo Augusto, os cortes mais usados pelas cozinhas industriais são o Patinho, Chã de Dentro, Chã de Fora, Contra Filé, Lagarto e Pernil, pois estes, são de primeira e segunda, porém com um preço médio dentro dos demais, além de oferecer um excelente formato e padrão para a preparação de carnes. “Nos últimos anos, a Friall se especializou cada vez mais na produção e distribuição de alimentos industrializados congelados e resfriados de maior valor agregado”, ressalta.

O objetivo de produtos especializados para o setor de foodservice é que ajudam a reduzir o tempo de preparo dos pratos, economizam o tempo de funcionários e proprietários dos estabelecimentos e evitam o desperdício de alimentos, através de embalagens fracionadas e econômicas, produtos temperados, porcionados, fatiados e semi-prontos. Para o gerente da Friall, esses fatores fazem a marca ter boa aceitação e o setor tem tido grande crescimento.•




 
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